Epidemias na Mídia

2024 - Atual: Epidemias de Varíola no Espírito Santo: passado, presente e futuro

Este projeto tem como objetivo principal compreender como a epidemia de varíola foi abordada na sociedade capixaba entre os séculos XIX e XX, até a sua erradicação, com atenção especial às formas de comunicação social disponíveis ao longo desse período, a fim de traçar paralelos com a recente epidemia de Varíola Símia a partir de 2022, recentemente denominada Monkeypox (Mpox). Pretende-se analisar os modos como jornais, revistas, boletins, correspondências, relatórios de saúde e outros documentos governamentais difundiram sentidos sobre a doença, além de identificar como esses discursos influenciaram percepções públicas, posturas institucionais e respostas coletivas. Ao fazer isso, visa-se esclarecer as formas pelas quais a varíola foi compreendida, representada e enfrentada, situando tais processos no contexto mais amplo das transformações político-sanitárias, culturais e tecnológicas do Espírito Santo.Espera-se que os resultados gerados contribuam para a produção de conhecimento acadêmico de qualidade, informem estratégias atuais de comunicação em saúde, subsidiem gestores e profissionais no enfrentamento de infodemias e fortaleçam a reflexão crítica sobre o papel da mídia, da informação e da cultura na construção das respostas sociais às epidemias.Espera-se que o projeto seja capaz de monitorar os meios de comunicação do ES na Internet na abordagem da epidemia; monitorar os conteúdos sobre a epidemia; analisar os modos pelos quais os conteúdos que circulam na Internet constroem discursivamente os sentidos sobre Monkeypox (Mpox); fazer circular por diversos meios e para todos os interessados - pesquisadores, gestores, técnicos e população - os resultados das análises do monitoramento; e, d) contribuir com as estratégias de comunicação de risco e emergências no ES no contexto da Epidemia de MPox.

2020 - Atual: Observatório de Saúde na Mídia no Combate à COVID-19

A Organização Mundial de Saúde (OMS) alerta que o surto e a resposta ao COVID-19 foram acompanhados por uma enorme "infodemia" - uma abundância de informação, que dificultam o acesso a fontes confiáveis para orientar as ações. A OMS, alertou que não estamos apenas lutando contra uma epidemia e, sim, contra uma infodemia: são notícias falsas (fakenews) que se espalham pelas plataformas digitais com mais rapidez e facilidade do que esse vírus e são igualmente perigosas. Neste cenário infopandêmico uma inciativa estratégica é o monitoramento da informação. Nesse sentido, esse projeto busca monitorar, em 21 sites de jornais capixabas,notícias sobre covid-19 no período de 01 de dezembro de 2019 a 31 de dezembro de 2021; criação de um sistema de monitoramento, o SIGCOVID-19, desenvolvido pelo OSM-ES, visando seis frentes de análise de matérias jornalísticas no contexto da pandemia da covid-19. a partir de sintaxes pré-selecionadas, são elas: (1) matérias que pautam o SUS; (2) matérias que pautam sobre medicamentos e vacinas para a doença; (3) matérias que pautam sobre mortalidade da doença; (4) matérias que pautam sobre distanciamente/isolamente social, uso de máscaras e álcool em gel; (5) matérias que pautam desigualdade social no contexto da pandemia covid-19; (6) casos novos da doença.  Além disso, busca atuar na classificação das matérias sobre o SUS no combate à covid-19 e na construção de um banco de dados dessas matérias no combate à covid-19. O objetivo final consiste em analisar as temáticas abordadas pela mídia no contexto da pandemia de modo quantitativo e qualitativo a fim de compreender como a mídia vem produzindo sentidos em saúde para a população.

2020- 2023: Pandemia e contextos criativos: cartografia de tecnologias e arranjos de informação e comunicação de populações negligenciadas para enfrentamento da Covid-19

Projeto multicêntrico coodenado pelo ICICT-Fiocruz sobre práticas informacionais e comunicacionais das populações pobres nas epidemias. As campanhas de prevenção não consideram os contextos locais porque os desconhecem. Na Covid-19 esse cenário se agrava, pois as políticas não contemplam as condições de vida dessas pessoas e a comunicação fala de realidades distantes. Mas, essas coletividades desenvolvem suas próprias tecnologias comunicacionais, é com elas que se apropriam da informação e as adaptam aos seus contextos. O objetivo é localizar, caracterizar e sistematizar tecnologias comunicacionais coletivas periféricas. Através de relatórios de pesquisa (impresso e audiovisual), seminários/webnários e artigos científicos, esperamos subsidiar gestores e as assessorias de comunicação das instituições de saúde na prevenção de epidemias. Com a metodologia e a devolução dos resultados (vídeos e podcasts) esperamos fortalecer o debate sobre o Covid-19 e outros vírus nos locais estudados.

2014-2018: Comunicando o risco: um olhar sobre a epidemia de Zika

A comunicação de risco é definida como um processo de planejamento de comunicação de instituições públicas para enfrentar situações de crises ou riscos, que quase sempre se tornam eventos de mídia. Nos dias atuais, cada vez mais podem se tornar também eventos de mídia social. E, por isso, as mídias sociais devem ser consideradas no planejamento da comunicação diante de emergências. O objetivo do projeto é entender os aspectos que envolvem as relações entre uma emergência em saúde pública, os meios de comunicação e a sociedade e as instituições públicas responsáveis pela gestão do risco, tomando como eixo central o papel das mídias sociais na sociedade contemporânea. Para lançarmos um olhar sobre a epidemia de zika, alguns aspectos e elementos nos ajudam. Partimos dos alertas emitidos e da declaração da emergência em saúde pública, bem como da epidemia de significações das quais a zika está rodeada, principalmente pelo contexto de incerteza em que surgiu. Diante da sociedade que experimenta diariamente a incerteza, tecemos breves considerações sobre o risco. Do risco, passamos para a comunicação de risco e de emergência em saúde pública e as influências que as mídias sociais operam nessa equação. Foi realizada metassíntese, com a qual foram discutidos também temas como a mídia na era da pós-verdade e os desafios que as instituições públicas enfrentam neste contexto. Ainda, foi realizado o levantamento das principais ações de comunicação, a partir dos documentos oficiais que abordam a comunicação de risco e do levantamento dos altos recursos gastos em publicidade durante a epidemia de zika. Concluímos que a publicidade, entre outras ações, foi considerada prioritária e ocupou lugar de destaque nas estratégias de comunicação. Discutimos, também, a utilização do Facebook como ferramenta de comunicação de risco das instituições públicas na resposta à epidemia de zika. Foi realizado, por fim, o levantamento das postagens das páginas do Ministério da Saúde e do Governo do Estado do Espírito Santo relacionadas ao tema e, logo após, foram categorizadas de acordo com o assunto abordado. Observou-se que, durante a emergência da epidemia de zika, as estratégias utilizadas nas mídias sociais não diferem das práticas em outros meios: um convite para o combate ao mosquito.  Em suma, concluímos que o modelo atual adotado pela comunicação de risco e de emergências em saúde pública aponta para a necessidade de mudanças que incorporem novas estratégias e práticas que levem em conta os diversificados espaços, cenários, contextos e os processos sociais existentes.

2013 - 2017: Doenças Midiaticamente Negligenciadas: cobertura e invisibilidade de temas sobre saúde na mídia impressa do Espírito Santo

Ao analisar a relação entre a mídia e a saúde percebe-se a falta de coerência entre os critérios que definem a divulgação midiática de algum assunto (critérios de noticiabilidade: novidade, exclusividade, visibilidade, raridade, entre outros) e o grau de relevância da divulgação das questões pertinentes à saúde, contribuindo para a conformação de Doenças Midiaticamente Negligenciadas, ou seja, doenças que não recebem atenção midiática mas que possuem grande impacto social. O presente estudo objetiva: entender, através de pesquisa quali-quantitativa, quais as condições de saúde do Espírito Santo (ES); identificar os atores-chave envolvidos na discussão/veiculação da saúde na mídia impressa; problematizar/discutir a coerência entre a pauta das notícias de saúde com as necessidades de saúde no estado, através dos indicadores de saúde e a percepção de atores-chave; compreender e discutir as Doenças Midiaticamente Negligenciadas no estado. Trata-se de um estudo dividido em duas fases complementares: A) Quantitativa- Seleção e análise dos indicadores de saúde relevantes ao estudo; Comparação dos indicadores de saúde com seu grau de exposição na mídia impressa (A Tribuna e A Gazeta); B) Qualitativa- Entrevista aos atores-chave previamente identificados e envolvidos no processo discussão/veiculação da saúde na mídia impressa dos dois jornais de maior relevância no ES e discussão das Doenças Midiaticamente Negligenciadas a partir dos resultados obtidos nas duas fases. Destaca-se, assim, a relevância de se estudar as doenças e problemas de saúde pouco tematizados pelos meios de comunicação, bem como os destaques atribuídos às notícias publicadas em jornais, mídia que pauta todas as demais, sob o ponto de vista das necessidades em saúde da sociedade, contribuindo para o debate e construção de políticas públicas para o enfrentamento das doenças negligenciadas no Espírito Santo.

2008 - 2010: Comunicação e Saúde no Espírito Santo: o drama epidêmico midiático da dengue e H1N1

Esse projeto buscou compreender como a Comunicação e Saúde participa da experiência epidêmica contemporânea no Espírito Santo. Para tanto, colocou sob análise duas relevantes doenças, a dengue e a Influenza H1N1, a partir da produção do jornal impresso de maior circulação estadual, A Tribuna. Os objetivos foram: analisar os sentidos da experiência epidêmica contemporânea na mídia impressa do Espírito Santo, a partir do estudo de duas das principais epidemias presentes na cena capixaba, H1N1 e dengue, contribuindo para o desenvolvimento de aportes teóricos-metodológicos interdisciplinares no campo da Comunicação e Saúde; promover a inovação e a disseminação do conhecimento científico e tecnológico, através da criação do Observatório de Saúde na mídia - Regional ES, visando o fortalecimento do campo da Comunicação e Saúde no Espírito Santo, aliado ao intercâmbio técnico-científico entre a Fiocruz e a Universidade Federal do Espírito Santo; analisar comparativamente como as epidemias de dengue e H1N1 foram constituídas no jornalismo diário escrito, caracterizando as relações que tecem entre si, suas respectivas audiências, os especialistas e com as políticas públicas de enfrentamento dessas epidemias; identificar e problematizar as concepções de saúde, doença e notícia, assim como o papel desempenhado pela noção de risco na explicação, definição de estratégias de enfrentamento e atribuição de responsabilidades relacionados às duas epidemias; mapear a rede de sentidos mobilizada em cada epidemia, bem como as vozes consideradas e silenciadas no campo da saúde e no jornalístico; - Organizar técnica e gerencialmente o Observatório de Saúde na Mídia - ES; implantar o banco de dados do acervo jornalístico dos periódicos A Tribuna e A Gazeta sobre saúde, a partir do ano de 2008 prospectivamente; realizar divulgação científica e atividades acadêmicas juntamente com as instituições parceiras.

2004 - 2009: Análise das matérias de saúde Bucal veiculadas na mídia impressa no Espírito Santo

O projeto buscou delinear as principais características das matérias sobre saúde bucal veiculadas na mídia impressa do Espírito Santo de 2004 a 2009, a fim de analisar e comparar os assuntos, as abordagens e a relevância jornalística relacionadas à temática priorizados pelos jornais A Tribuna e A Gazeta. Foi realizada uma pesquisa exploratória documental, a partir da análise de conteúdo categorial quantitativa das matérias, a qual permitiu constatar que: os assuntos abordados compreenderam desde informações sobre políticas de saúde bucal, serviços prestados à comunidade e prevenção às doenças bucais, até as "tendências estéticas" do sorriso, a divulgação de novas tecnologias e de especialidades odontológicas; houve um predomínio de páginas pares, poucas chamadas na primeira página e a veiculação em página inteira, o que significa uma valorização moderada desses assuntos; os projetos editoriais distintos, aliados à diferença de público alvo determinaram o padrão jornalístico e houve o predomínio de fonte especialista.

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