Estudo revela padrões geográficos e socioeconômicos do suicídio no Espírito Santo

Realizado por pesquisador da Ufes, o estudo evidencia que entender esses fatores relacionados com o suicídio pode ser eficaz para prevenção
O suicídio, definido como a morte por lesão autoinfligida e premeditada, é um complexo problema de Saúde Pública com graves impactos sociais e familiares. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2019, houve cerca de 700 mil suicídios globalmente, representando 1,3% das mortes. Entre jovens de 15 a 29 anos, foi a quarta principal causa de morte. Esses dados ressaltam a necessidade de ações integradas para reduzir seus efeitos.
Elaborado pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) da Ufes, um estudo analisou a relação do suicídio com a distribuição espacial da mortalidade no Espírito Santo, nos anos de 2002 a 2019. O objetivo foi analisar a distribuição geográfica da mortalidade por suicídio, bem como os fatores socioeconômicos no estado.
Durante o período estudado, foram notificados mais de 3 mil óbitos por suicídio, sendo 1.349 entre 2002 e 2010, e 1.728 entre 2011 e 2019.
De 2002 a 2010, dados como renda per capita, piso salarial médio e taxa de ruralização indicaram que esses fatores socioeconômicos e demográficos podem estar relacionados aos padrões de mortalidade por suicídio. Este fenômeno pode ser explicado pelo fato de as atividades agropecuárias se caracterizam por baixos salários, baixa empregabilidade e alta oscilação produtiva.
No período de 2011 a 2019, foi observado uma associação entre áreas com maior proporção de propriedades rurais e taxas mais altas de ruralização com o aumento dos casos de suicídio, em comparação com áreas mais urbanizadas.
A pesquisa revelou uma concentração geográfica de taxas de mortalidade por suicídio acima da média em áreas específicas, como os municípios das microrregiões de Caparaó, Central Serrana, Sudoeste Serrana e Central Sul. Isso sugere a influência de fatores locais na elevada taxa de óbitos.
Os resultados levantados evidenciam que, é importante entender como fatores regionais, bem como socioeconômicos contribuem para a mortalidade por suicídio. Desse modo, os dados podem ajudar a direcionar recursos para prevenção e promoção da saúde mental em territórios rurais.
Estudo realizado por: LAERSON DA SILVA DE ANDRADE
Orientador: MARCOS VINICIUS FERREIRA DOS SANTOS
Detalhes da pesquisa: Saúde Coletiva
Imagem: FreePik