Estudo da Ufes mostra como escolaridade e condições sociais impactam a sexualidade de adolescentes

Pesquisa com mais de 2 mil estudantes revela influência de renda, cor, idade e escolaridade familiar nas atitudes sobre prazer, maternidade e aborto
Uma pesquisa realizada na Região Metropolitana da Grande Vitória (ES) revelou como fatores socioeconômicos moldam diretamente as atitudes e percepções de adolescentes sobre sexualidade, maternidade e aborto. Intitulado “Sexualidade, Maternidade e Aborto entre Adolescentes: Percepções e Atitudes”, o estudo investigou 2.292 estudantes de 15 a 19 anos, matriculados no ensino médio em 54 escolas públicas e privadas, entre agosto de 2016 e maio de 2017.
O levantamento utilizou escalas e questionários para avaliar crenças e valores desse público e apontou um cenário preocupante: adolescentes mais jovens, em séries iniciais, que convivem com parceiro(a), se autodeclaram pretos ou pardos, pertencem a famílias de baixa renda e com chefes familiares de menor escolaridade demonstraram atitudes mais desfavoráveis em relação à sexualidade.
Além das atitudes, a pesquisa analisou percepções sobre cinco dimensões: prazer, afetividade, reprodução, maternidade e aborto. Os resultados mostraram que os jovens reconhecem a sexualidade como fonte de prazer e afeto e apresentam visão mais crítica sobre a maternidade como papel exclusivo da mulher. No entanto, a percepção sobre o aborto permanece majoritariamente negativa, refletindo estigmas sociais ainda muito presentes.
As análises estatísticas confirmaram que fatores como sexo, idade, série escolar, renda familiar, situação conjugal e escolaridade do responsável influenciam essas percepções. Adolescentes de famílias com maior renda e em séries mais avançadas apresentaram visões mais abertas sobre prazer e maternidade, enquanto a baixa escolaridade familiar reforçou percepções conservadoras, sobretudo em relação ao aborto.
Segundo os autores, os resultados evidenciam que as desigualdades socioeconômicas atuam como marcadores centrais na construção de valores e atitudes entre jovens. A pesquisa reforça a urgência de políticas públicas de educação sexual crítica e inclusiva, que considerem o contexto social dos adolescentes e promovam equidade nos debates sobre sexualidade e direitos reprodutivos.
