Educação permanente no SUS municipal agiliza demadas dos pacientes nas unidades

A atuação da Escola Técnica e da Equipe do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Primária parecem ter favorecido o processo de implementação dessa política no município
De acordo com a pesquisa, realizada no Centro de Ciências da Saúde (CCS/UFES), a visão dos profissionais da Equipe do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Primária no município de Vitória-ES foi fundamental para a realização de uma avaliação que identifica os benefícios da implementação da Política de Educação Permanente em Saúde. Para essa avaliação, foram selecionados profissionais que já atuavam há mais de um ano no Núcleo.
É importante lembrar que a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) foi regulamentada em 20 de agosto de 2007. É considerada uma importante estratégia do SUS para a organização dos serviços de saúde. Essa política promove a formação e o desenvolvimento dos profissionais e trabalhadores da saúde, que são qualificados e, consequentemente, transformam as práticas de saúde por meio da integração do que aprendem nos serviços prestados à comunidade. Dessa maneira, ajudam a fortalecer os princípios fundamentais do SUS, que são universalização, equidade e integralidade.
Os profissionais responderam a perguntas sobre as suas participações nas atividades da Educação Permanente em Saúde e os resultados alcançados com essas ações no cotidiano dos serviços na Atenção Primária. Responderam também sobre o que entendem do conceito de Educação Permanente em Saúde, sua relação com a Educação Continuada e quais fatores influenciam a implementação da política, monitoramento e avaliação.
Quarenta e nove (49) profissionais responderam um questionário semiestruturado, no qual existem dois tipos de perguntas, as objetivas e as de livre resposta dos entrevistados. Outros vinte e oito (28) profissionais receberam um roteiro guia para servir de orientação ao responderem três segmentos de questões.
Para que fosse possível identificar o grau de eficiência da implementação dessa política na prática dinâmica dos serviços, foi necessário organizar e analisar as respostas dos questionários respondidos pelos profissionais, conforme exigências científicas específicas. Por fim, a análise das respostas demonstrou que os profissionais consideram que a implementação aconteceu em sentido pleno. E o destaque foi para a atuação da Escola Técnica e Formação Profissional do Sistema Único de Saúde.
Essa parceria que reuniu profissionais e instituições no processo formativo de capacitação para a atuação na Atenção Primária, contribuiu para a mudança na prática profissional e trouxe agilidade para a resolução das demandas locais. Com esse estudo foi possível verificar também a necessidade de alguns ajustes quanto ao envolvimento da gestão no planejamento dos serviços e a viabilização de mais recursos humanos e financeiros para alavancar ainda mais as ações de Educação Permanente em Saúde no município de Vitória-ES.
A recomendação é que a gestão promova ações que organizem o espaço nas agendas dos profissionais para essa a ação de forma institucionalizada, de maneira que os atendimentos aconteçam com mais abrangência. As ações - se bem executadas - dessa política irão refletir diretamente no atendimento aos usuários do SUS no município de Vitória-ES. Além disso, esse exemplo poderá abrir portas para que outros municípios resolvam seguir o modelo adotado na capital.
Estudo realizado por: Wellen Góbi Botacin
Detalhes da pesquisa: Saúde Coletiva
Imagem: FreePik