Bullying, abuso sexual e divórcio parental acarretam excesso de peso na adolescencia, revela estudo

diversos alimentos ultraprocesados em uma mesa

Realizado pela Ufes, a pesquisa evidencia que a ausência de um estilo de vida saudável e as experiências adversas estão relacionadas com o aumento de peso

Atualmente, um número crescente de adolescentes está consumindo alimentos ultraprocessados e reduzindo a ingestão de alimentos in natura ou minimamente processados. E fatores externos, como o bullying – caracterizado por agressões repetidas e intencionais, por meio de violência física, verbal, psicológica ou virtual, visando causar sofrimento e humilhação – têm contribuído para o aumento desses alimentos entre essa população. Como resultado, há um crescimento no ganho excessivo de peso entre essa população.

Elaborado no Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) da Ufes, o estudo analisou o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados e alimentos ultraprocessados, o excesso de peso e suas associações com experiências adversas na infância e bullying na adolescência tardia. A pesquisa foi realizada entre 2016 e 2017, com 2285 adolescentes de 15 a 19 anos, residentes na Região Metropolitana da Grande Vitória.

Os alimentos in natura são aqueles obtidos diretamente de plantas ou animais, sem sofrerem qualquer modificação, como frutas e carnes. Por outro lado, os alimentos minimamente processados passam por processos simples, como limpeza, corte ou pasteurização, exemplos disso são o arroz e o feijão. Já os alimentos ultraprocessados passam por uma série de processamentos e incluem ingredientes industriais, como aditivos e corantes, encontrados em produtos como refrigerantes, salgadinhos, biscoitos e chicletes.

Os resultados mostram que o consumo de alimentos naturais está associado a trabalho remunerado, alta renda familiar e prática de atividade física. Além disso, observou-se um aumento do consumo de ultraprocessados entre adolescentes de pele parda e aqueles que têm o hábito de comer enquanto utilizam a internet.

Ao analisar as adversidades na infância, como  bullying, abuso sexual e divórcio parental, notou-se que 14% dos adolescentes que passaram por problemas esses problemas apresentavam excesso de peso, o que também estava associado ao aumento da ingestão de alimentos ultraprocessados.

Os resultados da pesquisa sugerem que maior poder aquisitivo e prática de atividade física incentivam o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, enquanto a cor da pele parda/preta e o uso da internet ao comer aumentam a ingestão de ultraprocessados. Além disso, vítimas de maus-tratos e bullying consomem mais ultraprocessados, e adversidades na infância aumentam a probabilidade de excesso de peso. A pesquisa conclui que é essencial promover ações de educação alimentar e nutricional tanto no ambiente escolar quanto familiar, juntamente com estratégias para minimizar os danos e combater o bullying e prevenir a exposição a adversidades na infância.

 

Estudo realizado por: Daiane Rosa Gomes

Detalhes da pesquisa: Saúde Coletiva

Imagem: Freepik

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