8 em cada 10 pacientes são diagnosticados tardiamente com câncer de boca no es

Projeto de pesquisa desenvolvido pela UFES e AFECC realiza ações de prevenção e diagnóstico da doença em estágio inicial para prevenir mortes
O câncer de boca é o quinto tumor mais frequente entre os homens no Brasil. No Espírito Santo, registram-se cerca de 360 novos casos da doença a cada ano, segundo o INCA. Segundo o último levantamento do Observatório Global do Câncer, somente no ano de 2022, foram registradas 278.835 mortes.
Com o objetivo de mobilizar a população para o diagnóstico do câncer de boca em estágio inicial, o projeto de pesquisa “Prevenir: Prevenção e diagnóstico do câncer de boca”, parceria Ufes e AFECC, busca contribuir para a mudança do atual cenário do câncer de boca no Espírito Santo, onde cerca de 80% dos pacientes são diagnosticados tardiamente.
O diagnóstico tardio é um dos principais responsáveis pelas mortes por câncer de boca. Além da elevada mortalidade, os pacientes com esses tumores sofrem com os efeitos do tratamento, os quais afetam funções importantes como a fala, a deglutição, a estética, o convívio social e o bem-estar psicológico, comprometendo a qualidade de vida.
Segundo a coordenadora do projeto, Dra. Sandra von Zeidler, as principais razões para essa situação preocupante são: “pouco conhecimento da população sobre prevenção, falta de um programa de treinamento dos profissionais de saúde e a dificuldade de acesso aos serviços de saúde. ”
Quando descoberto em estágio inicial, a maioria dos casos de câncer de boca podem ser curados. Além disso, o diagnóstico precoce reduz as chances de a doença retornar, e reduz as sequelas do tratamento.
O projeto Prevenir possui como propósito desenvolver ações e pesquisas de combate ao câncer de boca em todo o Espírito Santo. O projeto atua junto à rede de Atenção Primária à Saúde (APS), com ações de educação permanente, treinamentos e materiais didáticos que orientam dos profissionais e Agentes Comunitários de Saúde a rastrear a população de risco para a doença. Além disso, o Prevenir busca ampliar o acesso à informação por meio de materiais educativos e diferentes canais de comunicação voltados à população.
É comum que muitas pessoas sob risco para o câncer de boca nunca tenham recebido acompanhamento da sua saúde bucal, principalmente os fumantes e que consomem bebidas alcoólicas – os principais fatores de risco. Por isso, é fundamental que todos façam pelo menos uma consulta ao dentista por ano. Essa visita ajuda a manter a boca saudável e permite identificar sinais da doença logo no início, quando as chances de tratamento e cura são muito maiores, recomenda a coordenadora
